Projeto de pesquisa apresentado à disciplina de pesquisa acadêmica do curso de Podologia da Universidade Anhembi Morumbi
1. INTRODUÇÃO
Nos dias de hoje a órtese de silicone é confeccionada sobre medida e são usadas de acordo com alterações estruturais, funcionais e morfológicas para corrigir desvios falângicos redutíveis, desvios interfalângicos redutíveis, proteção de áreas de pressão nos dedos que são áreas suscetíveis ao aparecimento de feridas, hálux valgo, hálux rígidus, dedo em garra, dedo em martelo, algias em virtude de vício de pressão entre outras alterações3.
As informações captadas pelos pés são necessárias para a regulação e coordenação da postura dinâmica e estática do ser humano. Um estímulo no pé pode causar descordenação e desequilíbrio postural ou pelo contrário reequilibrar a postura.
A órtese de silicone leva vantagem sobre outras órteses plantares posturais por ser de fácil aplicação e ter custo menor, beneficiando assim, podólogos que aplicam ortoplastia e indivíduos que apresentam alterações posturais.
Este trabalho tem o objetivo de estudar a influência das órteses de silicone na postura corporal estática visando identificar alterações, correções e problemas que possam ser causadas pelos elementos de silicone. Sendo assim esta pesquisa é de importância relevante de ser comprovada, pois visa esclarecer se a ortoplastia pode causar desequilíbrio tônico e disfunção nas informações captadas pelos receptores podais, prejudicando assim a postura de indivíduos que fazem uso destes elementos de silicone e conscientizando os podólogos dos riscos que a ortoplastia apresenta. Por outro lado este estudo quer mostrar que a órtese de silicone pode ser utilizada para corrigir ou melhorar a postura corporal.
2. OBJETIVOS
2.1 Geral
Investigar se as órteses de silicone são capazes de contribuir para reprogramação postural dos indivíduos.
2.2 Específicos
Verificar se há variação no equilíbrio postural dos indivíduos sadios, com a utilização das órteses de silicone que serão avaliados independente de apresentarem ou não alterações nos pés.
3. MÉTODOS
O Projeto de pesquisa foi submetido à apreciação e aprovação da Comissão de Ética em Pesquisa da Universidade Anhembi Morumbi. Todas as pessoas participantes desta pesquisa foram avaliadas após tomar conhecimento e assinar o Termo de Conhecimento Livre e Esclarecido.
3.1 Amostra
Foram avaliadas pelos autores desta pesquisa entre os meses de setembro de 2009 e novembro de 2009 pessoas que foram atendidas pelo serviço de podologia da Universidade Anhembi Morumbi nos seguintes Locais; Laboratório de podologia da Universidade, Anhembi Morumbi Campos Centro na Rua Dr. Almeida Lima nº 1134, Bresser São Paulo e também em três clinicas particulares de podologia que pertencem aos autores desta pesquisa, Podologia Butsher na Av. Sgto. Geraldo Santana 590 São Paulo, Orlando Madella Jr ME à Av. Paulista 807 São Paulo e Podologia Integrada LTDA ME à Rua Barão de Atibaia, 220 Campinas São Paulo.
Critérios de inclusão: Pessoas de 15 a 65 anos, com os dois membros inferiores presentes, ambos os sexos. Foram avaliados indivíduos independentes de apresentarem ou não alterações nos pés.
Critérios de exclusão: pessoas com amputações de qualquer espécie no membro inferior e pessoas com neuropatia presente nos pés.
3.2 Procedimentos
O total de indivíduos avaliados foi de 20 divididos em 2 grupos de 10, grupo B que chamamos de grupo controle e grupo A que chamamos de grupo ortoplastia . O grupo B não utilizou órtese e o grupo A utilizou órtese de silicone, ambos foram avaliados. A avaliação foi baseada no teste de Comprimento dos membros superiores, nível da crista ilíaca e teste dos polegares CNP, comprimento de membros superiores, onde o avaliado esta de pé com os pés separados na largura da sua pelve, relaxado com os braços esticados ao lado do corpo e olhando para frente, o avaliador se posiciona na frente do avaliado e ergue os dois braços simultaneamente para frente e observa se existe diferença no comprimento dos membros superiores.

Figura 1. Foto do teste de CNP onde se verifica o comprimento dos membros superiores (Fonte própria).
Nível da crista ilíaca, onde o avaliado esta de pé, relaxado, braços esticados ao lado do corpo (posição ortostática), o avaliador se encontra na frente do avaliado e posiciona a região hipotênar das mãos na crista ilíaca do avaliado e os polegares repousam sem pressão sobre a região do músculo reto abdominal e observa se ocorre diferença no nível de seus polegares.

Figura 2. Foto do teste de CNP que verifica o nível da crista ilíaca (Fonte própria).
Teste dos polegares, (simetria de tensão da musculatura paravertebral lombar (L4) e cervical (C4) ) onde o avaliado esta de pé, os pés separados na largura da pelve, relaxado, o avaliador esta posicionado atrás do avaliado, coloca delicadamente seus polegares sobre a pele na musculatura lombar da região paravertebral do avaliado sem imprimir força controlando a simetria da posição dos seus polegares, em seguida o avaliador pede que o avaliado flexione a cabeça para frente, relaxe os ombros e que flexione o tronco para frente como se quisesse tocar os pés com as mãos mas sem flexionar os joelhos neste momento o avaliador observa se seus dois polegares são levados simetricamente ou se um deles é levado mais alto que o outro.

Figura 3. Foto do teste CNP que avalia a simetria ou não da musculatura paravertebral na região lombar (Fonte própria).
O teste dos polegares é realizado também da mesma forma na região cervical com a diferença que neste teste o avaliado não flexiona o tronco e somente a cabeça.

Figura 4. Verifica a simetria ou não da musculatura paravertebral na região cervical. (Fonte própria).
Os indivíduos foram avaliados através do teste CNP e após a avaliação foi confeccionada para o Grupo A uma órtese de silicone para um dos pés e foi feito um novo teste de CNP no indivíduo usando a órtese de silicone.

Figura 5. Foto mostrando a pasta de silicone antes da confecção da ortoplastia (Fonte própria).

Figura 6. Foto aplicação da ortoplastia (Fonte própria).

Figura 7. Foto modelo de ortoplastia (Fonte própria).
Os dados foram coletados e submetidos à análise para verificar as alterações os desequilíbrios e as correções posturais que são caudas pela utilização das órteses de silicone avaliadas através do teste de CNP. Depois de um intervalo de 10 dias, estas mesmas pessoas do grupo A foram novamente analisadas para verificar se com a utilização da órtese de silicone ocorreu alteração nos dados corporais, as pessoas do grupo B controle, também foram novamente avaliadas no mesmo período.
4. RESULTADOS
Ao analisarmos os desvios de postura através do teste de CNP identificamos alterações em todos indivíduos participantes do estudo (Gráfico 1). As alterações do grupo A foram observadas no comprimento dos membros superiores, onde o comprimento do membro superior direito apareceu em 7 indivíduos do sexo feminino e 2 do sexo masculino e apenas 1 indivíduo do sexo feminino apresentou membro superior esquerdo maior que o direito conforme gráfico 2, alterações também observadas no nível da crista ilíaca, onde 8 indivíduos do sexo feminino e dois do sexo masculino apresentaram lado direito mais alto que o lado esquerdo (gráfico 3) e no teste dos polegares que identificou assimetria na tensão da musculatura paravertebral da região lombar e cervical, onde as amostras mostram 2 indivíduos do sexo masculino e 7 do sexo feminino com lado direito mais alto que o esquerdo e apenas um indivíduo do sexo feminino apresentou lado esquerdo mais alto que o direito conforme gráficos 4 e 5.

Gráfico 1. Todos indivíduos avaliados neste estudo apresentaram assimetria na 1ª avaliação no teste de CNP. O grupo A com 2 indivíduos masculinos e 8 femininos e grupo B com 4 masculinos e 6 femininos.

Gráfico 2. Grupo A , 7 indivíduos do sexo feminino e 2 do sexo masculino com comprimento do membro superior direito maior que o esquerdo e apenas 1 do sexo feminino com MS esquerdo maior que o direito.

Gráfico 3. Todos os indivíduos apresentaram nível de crista ilíaca direita mais alto em relação ao lado esquerdo no Grupo A.

Gráfico 4. Grupo A, no teste dos polegares na região cervical 2 indivíduos do sexo masculino e 7 do sexo feminino apresentaram lado direito mais alto que o esquerdo e apenas 1 indivíduo do sexo feminino apresentou lado esquerdo mais alto que o direito.

Gráfico 5. Grupo A , 2 indivíduos do sexo masculino e 7 do sexo feminino apresentaram lado direito mais alto que o esquerdo e apenas 1 indivíduo do sexo feminino apresentou lado esquerdo mais alto que o direito.
Após o teste de CNP aplicamos no Grupo A órtese de silicone no lado que apresentou membro superior mais comprido e constatamos modificações imediatas na postura corporal. Observamos simetria no comprimento dos membros superiores, nivelamento da crista ilíaca e simetria na tensão da musculatura paravertebral. Apenas em um indivíduo do sexo feminino não observamos simetria no comprimento do membro superior direito (Gráfico 7).
As Figuras 7 e 8, mostram modificação imediata no nivelamento dos membros superiores após aplicação da ortoplastia na primeira avaliação.

Figura 7. Foto que mostra assimetria no comprimento do membro superior antes da aplicação da ortoplastia (Fonte Própria).

Figura 8. Foto mostra modificação imediata no nivelamento dos membros superiores após aplicação da ortoplastia (Fonte Própria).
As Figuras 9 e 10, mostram modificação imediata na simetria da musculatura paravertebral na região cervical com o uso da ortoplastia (Gráfico 6).

Figura 9. Foto de assimetria no teste dos polegares antes da aplicação da ortoplastia (Fonte Própria).

Figura 10. Simetria imediata na tensão da musculatura paravertebral na região cervical com uso da ortoplastia (Fonte Própria).
Gráfico 6. Grupo A 1ª avaliação; todos os indivíduos apresentaram simetria na tensão da musculatura paravertebral na região cervical após teste de CNP.
Na segunda avaliação do Grupo A após 10 dias de uso da órtese de silicone observamos simetria no comprimento dos MMSS em todos os indivíduos avaliados, inclusive com indivíduo do sexo feminino que não demonstrou simetria no comprimento do membro superior com uso da ortoplastia na 1ª avaliação (Gráfico 7 e 8).

Gráfico 7. Grupo A, apenas 1 indivíduo do sexo feminino não demonstrou simetria no comprimento dos membros superiores na 1ª avaliação no teste de CNP com o uso da ortoplastia. Na 2ª avaliação com uso de ortoplastia todos os indivíduos apresentaram simetria no comprimento dos MMSS.
As figuras 11 e 12 mostram simetria na musculatura paravertebral com o uso de ortoplastia no Grupo A na avaliação de CNP após 10 dias de uso.

Figura 11. Foto de avaliação da região cervical após 10 dias de utilização da órtese de
Silicone (Fonte Própria).

Figura 12. Foto de avaliação da região lombar após 10 dias de utilização da órtese de
Silicone (Fonte Própria).

Gráfico 8.. Grupo A 2ª avaliação; todos os indivíduos apresentaram simetria nos testes de CNP, comprimento dos membros superiores, nível da crista ilíaca e teste dos polegares na região cervical e lombar, 8 do sexo feminino e 2 do sexo masculino.
Os indivíduos do grupo controle que não utilizaram órtese de silicone apresentaram os mesmos desníveis de postura, tanto na primeira, quanto na segunda avaliação (Gráfico 9).
Gráfico 9. Segunda avaliação no Grupo B após 10 dias. Todos apresentaram a mesma alteração observada na 1ª avaliação.
5. DISCUSSÃO
Como citado anteriormente nos estudos sobre posturologia, pequenos relevos de 1mm a 3mm de espessura aplicados na planta dos pés são capazes de alterar a postura corporal das pessoas, comprovado nesta pesquisa conforme mostra as figuras 8 e 10.
Nos dias de hoje a ortoplastia é utilizada por podólogos para absorção de impactos ou para correção de dedo em garra, dedo em martelo, entre outras alterações apresentadas na região do antepé, mais precisamente nos dedos.
Baseados nas informações acima citadas, surgiu a duvida se as órteses de silicone que também são conhecidas como ortoplastia aplicadas por podólogos na região dos dedos dos pés são capazes de alterar a postura corporal dos indivíduos.
Este estudo demonstrou que as órteses de silicone são capazes de alterar a postura corporal dos indivíduos conforme as figuras 7, 8, 9 e 10.
Vários trabalhos sobre a postura são encontrados na literatura, mas nenhum relacionado as órteses de silicone como sendo um causador de alterações. Esta falta de literatura dificultou a execução desta pesquisa.
Esta pesquisa confirma a informação que pequenos relevos aplicados na região plantar dos pés podem reequilibrar a postura corporal4,6,7, porém este estudo mostra que diferentemente do encontrado na literatura os relevos também podem ser utilizados na região plantar dos dedos(limitando-se na região das falanges) e alcançando o mesmo resultado na postura corporal.
Um achado interessante deste estudo foi à alteração de postura apresentada em todos os indivíduos analisados conforme o gráfico 1 e também a melhora apresentada nos desníveis posturais com a utilização da órtese de silicone conforme as figuras 8 e 10.
Outro dado importante foi observado na segunda avaliação com o grupo que utilizou a órtese de silicone, constatando que o produto utilizado se manteve ativo mesmo após dez dias de uso conforme avaliação mostrada nas fotos 11, 12 e no gráfico 8.
Observando os dados encontrados com esta pesquisa verifica-se que as órteses de silicone levam vantagem sobre outras órteses plantares posturais por ser de fácil
aplicação e ter custo menor, beneficiando assim, podólogos que aplicam ortoplastia e indivíduos que apresentam alterações posturais.
Sendo assim esta pesquisa mostrou ser de importância relevante, pois esclareceu que a ortoplastia modifica o equilíbrio tônico postural e pode causar disfunção nas informações captadas pelos receptores podais, prejudicando assim a postura de indivíduos que fazem uso destes elementos de silicone. Por isso é de suma importância a conscientização dos podólogos dos riscos que a ortoplastia apresenta, por outro lado este estudo também mostra que a órtese de silicone pode ser utilizada para corrigir ou melhorar a postura corporal contribuindo para melhor qualidade de vida das pessoas.
Nossa sugestão é que este estudo deva ser continuado com uma amostra maior em indivíduos que apresentem alterações nos dedos dos pés e que necessitem fazer uso da órtese de silicone e que a órtese também seja estudada no pé contrário ao que foi utilizado neste estudo, já que os resultados apresentados levantam questões ainda ausentes nos estudos sobre a relação da postura corporal com órteses de silicone.
6. CONCLUSÃO
Este estudo apresenta dados importantes sobre alterações posturais causadas pelo uso de órtese de silicone. Podemos então concluir que a utilização da ortoplastia pode contribuir para a reprogramação postural dos indivíduos e por outro lado se não for adequadamente utilizada pode causar distúrbios ao equilíbrio postural.
7. REFERÊNCIAS
1. EDELTEIN, J.E., Bruckner, J. Órteses; Abordagem Clínica. Rio de Janeiro RJ, Guanabara Kogan, 2006.
2. MADELLA, Orlando Jr. Dicionário Ilustrado de Podologia, 4ª ed. São Paulo Orlando Madella Jr, 2009
3. BEGA, Armando. Tratado de Podologia. São Caetano do Sul , SP: Yedis, 2006.
4. BRICOT, Bernard, Posturologia, São Paulo, Ícone 2001
5.JR, O.M. Dicionário Básico de Podologia . São Paulo: Paginas do Brasil, 2008.
7. PRZYSIEZNY, W. L.; Formonte, M.; Przysiezny, E, Estudo do comportamento da distribuição plantar através da baropodometria em indivíduos sem queixas físicas. Rev. Terapia Manual Fisioterapia Manipulativa, 2003; v.2 28-32.
8. SILVA, Rodolfo Biazi Xavier. Analise da influencia das barras e elementos podais na estabilometria. São Jose dos Campos, SP, 2006. 1 disco laser Dissertação (Mestrado em Bioengenharia) - Universidade do Vale do Paraíba, Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, São Jose dos Campos, 2007.
Orientador: Prof. Armando Bega
Autores.
Alberto Cristiano Rascassi
Orlando Madella Jr
Renato Butsher Cruz